Abel Ferreira não é apenas um treinador, ele é um fenômeno de longevidade e sucesso em um ambiente conhecido por triturar carreiras: o futebol brasileiro.
Desde a sua chegada ao Palmeiras em novembro de 2020, o técnico português estabeleceu um padrão de consistência que se traduz em títulos e, mais importante, em uma cultura de trabalho sólida que destoa da frenética dança das cadeiras que caracteriza os rivais.
A sua trajetória no comando do Verdão é uma aula de como a estabilidade administrativa, aliada à competência técnica, gera resultados exponenciais. Em cerca de cinco anos no clube, Abel já acumula 10 títulos, isolando-se como o treinador mais vitorioso da história do Palmeiras.
A lista de conquistas fala por si: duas Copas Libertadores (2020 e 2021), dois Campeonatos Brasileiros (2022 e 2023), uma Copa do Brasil (2020), uma Recopa Sul-Americana (2022), uma Supercopa do Brasil (2023) e três Campeonatos Paulistas (2022, 2023 e 2024).

Quer os troféus estaduais, quer nacionais e até continentais comprovam a sua capacidade de gerir elencos, motivar jogadores e reinventar taticamente a equipe a cada temporada.
O contraste histórico e a confiança inabalável
O maior atestado da proeza de Abel reside na comparação com os seus pares.
Enquanto o português se consolida, outros gigantes do futebol brasileiro mantêm o ciclo vicioso de demissões e contratações.
Em seus primeiros cinco anos no Palmeiras, o tempo em que Abel era o único treinador do clube, seus arquirrivais — Corinthians, São Paulo e Santos — e o Flamengo, por exemplo, tiveram uma rotatividade assustadora de profissionais no banco!

Somente os três rivais paulistas somaram mais de 20 trocas de comando nesse mesmo período, com o Corinthians e o Santos passando por cerca de dez mudanças cada e o São Paulo por seis, no mesmo recorte de tempo. A média do Brasileirão, por sua vez, é de trocas anuais, tornando a estabilidade de Abel uma raridade quase exótica.
Este ambiente turbulento, de pressão insana e imediatismo, faz a permanência de Abel por tanto tempo ser vista como um feito hercúleo, diria que é louco quem não achar o mesmo.
A chave para essa longevidade é o respaldo – algo que não acontece em muitas equipas. A Presidente Leila Pereira, sucessora de Maurício Galiotte, tem sido uma defensora inabalável do trabalho de Abel! Mesmo nos momentos de seca ou resultados negativos. Em suas próprias palavras, Abel já destacou essa confiança, afirmando que a diretoria lhe dá «todas as condições para nós estarmos só focados em desempenhar o nosso trabalho».

Mais do que títulos: o líder e educador
Além dos números, Abel Ferreira é elogiado pela sua ética de trabalho e pela capacidade de desenvolver talentos. Jogadores o veem como um líder rigoroso, mas justo, que preza pelo coletivo e pelo cuidado com o indivíduo.
Em diversas coletivas, o treinador fez questão de enaltecer o «caráter» e a «maturidade emocional» de seus atletas, mostrando que seu trabalho vai além da tática, investindo na mentalidade vencedora. Ele também já classificou a si e sua comissão como «cuidadores» dos atletas, ressaltando o lado humano da gestão.
A consistência de Abel Ferreira no Palmeiras não é um acidente, mas sim a prova cabal de que, no futebol de alto nível, o sucesso sustentável exige tempo, convicção e uma estrutura que proteja o planejamento de longo prazo dos ventos impetuosos da paixão momentânea.
Não há dúvida de que Abel Ferreira se tornou o modelo a ser seguido: o treinador que, com rigor e seriedade, transformou o Palmeiras em uma máquina de levantar taças e um ponto fora da curva na instabilidade do futebol nacional.







