Na última terça-feira (04/11), durante o 2º Fórum Brasileiro de Treinadores, Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão deram o que falar. Ambos, nomes bem conhecidos no meio do futebol nacional, fizeram declarações um tanto polêmicas sobre o novo técnico da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti. Dentre as muitas questões que levantaram, a indignação de que o Brasil precise realmente recorrer a um profissional estrangeiro foi a mais comentada nos últimos dias.
Muitos treinadores no Brasil se solidarizaram com a situação e rapidamente ligaram para o Mister, mostrando empatia e deixando claro que aquela fala não representava o pensamento de todos os brasileiros. Outros foram além e classificaram as declarações daquelas personalidades como “infelizes”. Ver toda essa situação me levou a uma reflexão que, com muito carinho, compartilho hoje com vocês.
Como alguém que ama o futebol e consome diariamente material sobre esse esporte fascinante, sei que essa polêmica é antiga — e acabou ganhando força nos últimos anos. E não é por acaso: se formos olhar hoje para o melhor time de futebol do Brasil (na minha humilde opinião), o Palmeiras, veremos que ele é comandado há cinco anos pelo mesmo treinador — o estrangeiro Abel Ferreira. Líder do Campeonato Brasileiro, finalista da Libertadores, o Palmeiras de Abel é um sucesso inegável. E então surge a pergunta: afinal, por que tantos se incomodam com a presença de técnicos estrangeiros no Brasil? Ainda mais depois de esse caminho ter se mostrado tão promissor?
E aí vem o ego. Sim, caros leitores, vocês leram bem. Para nós, foi como um choque de realidade perceber a necessidade de buscar talentos lá fora, porque simplesmente o que os brasileiros ofereciam estava “ultrapassado” e “pouco competitivo”. Na tentativa de recuperar o prestígio internacional, o professor agora precisava se tornar aluno — e isso, acredito, doeu de uma forma diferente em algumas pessoas. É como se estivéssemos “admitindo inferioridade” de alguma forma, já que não conseguíamos mais resolver esses desafios sozinhos.
Para alguns, é difícil ser humilde quando se é o maior vencedor de Mundiais e se revelam estrelas que valem milhões todos os anos. É mais difícil ainda entender que o modelo antigo não funciona mais, que precisamos modernizar, evoluir. E essa modernização passa também pela aceitação desses treinadores de fora, que chegam com ideias e métodos diferentes.
Em vez de enxergar os estrangeiros como inimigos, deveríamos vê-los como espelhos que refletem o quanto o nosso futebol precisa se reinventar. Muitos dos nossos técnicos são resistentes simplesmente porque evitam a atualização e a autocrítica em nome de um “patriotismo” que, no fundo, esconde o medo do novo.
O futebol brasileiro sempre foi plural, criativo e aberto. Negar o intercâmbio de ideias é trair justamente essa essência. Talvez o problema não seja termos um Ancelotti na Seleção — mas não termos um brasileiro que, hoje, esteja no mesmo patamar.
Fico sempre na esperança de que técnicos novos, como Filipe Luís, do Flamengo, representem essa nova geração de treinadores abertos a ensinar e aprender com aqueles que vêm de fora — na tentativa de elevar o nível de competitividade do futebol brasileiro e, quem sabe, fazermos parte também das opções de outros países.







