Ser torcedor do Palmeiras nunca foi simples. E talvez por isso também nunca tenha sido morno. A temporada de 2025 chegou ao fim e, junto com ela, veio um sentimento que o palmeirense conhece bem: uma mistura difícil de explicar entre orgulho e frustração.
Orgulho porque o Palmeiras segue competitivo. Está sempre disputando, chegando, incomodando. Em um futebol brasileiro marcado por instabilidade, trocas constantes e projetos frágeis, o Verdão continua firme, organizado e presente nas decisões. Isso não é pouco. Isso não pode ser ignorado.
Mas a frustração existe. E ela é legítima.
Chegar perto e não conquistar dói. Bater na trave cansa. O torcedor sente porque se acostumou a ganhar, tanto que no jogo da final da Libertadores, vi meus dois sobrinhos indignados que o Palmeiras havia perdido, as crianças que vem de uma era vencedora do Palmeiras não estão habituados a perder, e como disse meu irmão Patrick o jogo seria de uma bola só, e foi. A régua mudou. O Palmeiras elevou o próprio nível nos últimos anos, e hoje não basta apenas competir. A expectativa é vencer. Sempre!
Não é ingratidão. É consequência de um ciclo vencedor.
Ao longo da temporada, o time mostrou entrega, intensidade e competitividade. Também mostrou limites. Em alguns momentos faltou ousadia, em outros precisão, em outros talvez repertório. E quando o último jogo acaba, a pergunta surge naturalmente na cabeça do torcedor: o que faltou para ir além?
Ainda assim, existe algo que sustenta o orgulho. O Palmeiras não perdeu sua identidade. Continuou brigando até o fim, valorizando sua base, revelando talentos, mantendo um projeto claro. Não houve terra arrasada, nem sensação de fracasso total. Houve disputa. Houve entrega.
A frustração não vem da incompetência. Vem da expectativa.
Hoje, o torcedor do Palmeiras cobra porque sabe que dá mais. Cobra porque viu o clube se tornar protagonista. Cobra porque aprendeu que é possível disputar todos os títulos. E quem prova esse gosto não aceita facilmente dar um passo atrás.
O desafio agora é equilíbrio. Reconhecer o que foi construído sem aceitar acomodação. Aplaudir o projeto sem fechar os olhos para os ajustes necessários. Apoiar o time sem deixar de exigir evolução.
Talvez esse seja o momento mais maduro do torcedor palmeirense: entender que orgulho e cobrança não são opostos. Eles caminham juntos quando o clube está em alto nível.
Ser palmeirense hoje é exatamente isso.
Sentir orgulho de torcer para um clube forte, estruturado e respeitado.
E, ao mesmo tempo, carregar a frustração de quem acredita que ainda dá para ir além.
No fim das contas, esse incômodo é um sinal positivo.
Só se cobra assim quem está acostumado a disputar tudo.
O Palmeiras segue grande, e forte para próxima temporada. E o torcedor segue esperando mais, como sempre.







