A minha visão sobre Neymar é clara: ele é a última superestrela brasileira. E que o Vini Jr não me leve a mal porque é craque, decisivo, mas aquele samba, aquela forma de driblar e tratar a bola como ninguém… isso é coisa de predestinado. Neymar foi o último a nascer com esse dom. Teve talento do tamanho do mundo, mas também o azar de viver o auge na era dos dois maiores de sempre, Messi e Cristiano Ronaldo. E havia sempre algo que eles tinham e ele nunca conseguiu igualar: o querer absoluto. A verdade é que Neymar foi durante anos o terceiro melhor do mundo, tapado por duas estrelas irrepetíveis… e por uma escolha de carreira precipitada. Era o herdeiro natural da dez do Barcelona, a dez de Messi, mas não soube esperar e trocou tudo por um PSG que ainda não era a potência nem o projeto que prometia ser. Hoje vemos jogadores como Dembele a vencer uma Bola de Ouro e parece me até desonesto Neymar acabar sem nenhuma. Mas não é caso único, ainda dói pensar que Xavi e Iniesta nunca ganharam.

Desde a final da Champions perdida por milímetros frente ao Bayern até ao Mundial de 2018, onde ele estava a partir tudo antes da eliminação cruel frente à Croácia, Neymar foi sempre isto: talento gigante, destino ingrato. É o futebol.
Mas agora a questão é outra: o Brasil ainda precisa de Neymar? E aqui a resposta é muito mais dura do que romântica: dificilmente. Neymar está numa fase claramente descendente. Aceitou isso quando assinou pelo Al Hilal, fez a sua fortuna e depois levou com uma lesão que o deixou um ano parado. Sejamos honestos: ele nunca mais voltou verdadeiramente. E já não vai voltar. No Santos, vemos apenas pequenos momentos de qualidade que aparecem e desaparecem rapidamente, deixando a sensação de que o físico já não acompanha ou que nunca recuperou totalmente.
Mas o que mais incomodou no regresso ao Peixe foi outra coisa: a postura. Veio com o ego e a moral de quem parece estar acima do clube, e o Santos não é um clube qualquer. É histórico e vai ser sempre maior do que Neymar. A entrada no balneário com música alta, sem cumprimentar ninguém, o ambiente pesado, a aura de superestrela que já não corresponde ao rendimento… e depois a novela da camisola do Batman, que transformou um momento simples numa história internacional. Nada disso ajudou.

E na seleção? Ancelotti não vai apostar nele. E faz bem. Se o objetivo é ganhar a Copa, o Brasil precisa de competitividade, frescura física e compromisso. Coisas que Neymar já não consegue garantir. A aposentadoria? Não me surpreenderia. Aliás, de certa forma, já começou. O que vemos agora parece mais uma peladinha prolongada com amigos do que um atleta profissional a lutar pelo alto nível.
E apesar de tudo, não desmereço nem por um segundo a carreira absurda que ele teve. Neymar fez o mundo balançar. Foi o último grande artista brasileiro. Se Ronaldinho nos fez apaixonar pelo desporto, Neymar manteve a paixão da minha geração viva. E isso ninguém lhe tira.
Mas se há algo mais curioso do que o declínio de Neymar, é perceber que o samba brasileiro deixou de aparecer no palco onde sempre brilhou. É preciso olhar para isto com seriedade: algo está a ser feito de errado na formação e na criação de jogadores criativos no Brasil. Até porque o jogador que hoje carrega a magia da dez de Messi, e o tempero brasileiro que só Neymar tinha, não nasceu no Brasil.
Nasceu em Espanha e chama se Lamine Yamal.







