Vitor Roque chegou ao Palmeiras criando uma grande expectativa no torcedor. Ele estava emprestado ao Real Betis e, portanto, já sabia que o verde e branco lhe caíam bem.
Desde o início, demonstrou muito respeito pela Sociedade Esportiva Palmeiras, entendendo não só o tamanho do clube em que estava, mas também a força da torcida que ansiava por vê-lo jogar.
O tigrinho demorou a embalar. Entrou em 13 jogos e, apesar de chegar perto do gol, não marcava. Corria de um lado ao outro do campo, mas não tinha brilho, não encaixava, não engrenava e colocava sobre si próprio um peso enorme nos ombros. Logo entendeu o quanto a camisa do Verdão pesa.
A virada dentro de campo
Em agosto, o treinador Abel Ferreira começou a escalar Vitor Roque em dupla com Flaco López, e o desempenho dos dois cresceu notavelmente. O tigrinho fez seu primeiro hat-trick em setembro e, atualmente, é um dos jogadores com mais gols do Brasileirão Série A.
Demorou mais do que o esperado para se adaptar, mas agora Vitor Roque não só está embalado como, em apenas uma temporada, voltou a atrair os olhares dos clubes europeus. Os gringos estão atentos à evolução do jovem jogador.
O amadurecimento e o novo modelo do clube
É aí que mora a beleza da história de Vitor Roque no Palmeiras. O garoto que muitos achavam “apressado demais” para justificar o investimento agora se torna uma das maiores possibilidades de venda do clube nos próximos anos. Só que, diferente de outros tempos, essa ideia não soa mais como perda, e sim como estratégia.
A atual diretoria do Palmeiras, assim como o próprio Abel já disse, vive uma era em que formar e revelar talentos, sejam da base ou lapidados dentro do elenco, deixou de ser apenas orgulho e virou modelo de gestão. Vitor Roque representa esse novo modelo: um jogador que entrega dentro das quatro linhas e, ao mesmo tempo, projeta o clube no cenário mundial.
Mais do que um bom jogador, Roque simboliza a força de uma filosofia que entende o futebol como paixão e negócio. Na era Leila Pereira, nada é feito por acaso. Cada contratação é um investimento futuro, cada minuto dos jogadores em campo é vitrine, e cada rumor de uma possível venda é reflexo de um trabalho bem-feito.
O Palmeiras como vitrine e formador
Nos últimos anos, o Palmeiras deixou de ser apenas um comprador de reforços para se tornar formador e valorizador da própria casa. Endrick abriu as portas, Estevão consolidou o caminho e agora Vitor Roque chega para mostrar um exemplo de maturação rápida e retorno certo.
O diferencial do Verdão é justamente esse: não vende por necessidade, mas por escolha. Cada saída e entrada de jogadores faz parte de uma visão ampla, que garante competitividade, lucro e legado.
O Palmeiras entendeu que, no futebol moderno, o valor de um jogador vai além do campo. Ter um atleta avaliado como “nível Europa” chama atenção, atrai holofotes, mídia, patrocinadores e até novos talentos para a base.
Cada gol do tigrinho é manchete internacional. Cada movimento e cada especulação se tornam uma forma gratuita de marketing global. O nome “Palmeiras” circula cada vez mais nas conversas e mesas de negociação da Europa, da Ásia e da África, sem o clube precisar investir em campanhas publicitárias. Esse tipo de visibilidade engrandece o clube.
Entre a razão e a emoção
Mas é claro que o torcedor sente esse dilema. No fundo, queremos ver nossos jogadores brilhando no Allianz Parque e não apenas sendo peças de mercado. Queremos ver a comemoração do tigrinho com a camisa alviverde e não um adeus precoce. É aquele velho conflito entre razão e emoção.
Hoje, a torcida alvi verde já aprendeu a ganhar sem depender de nomes e a vender sem perder a identidade. Vitor Roque é mais do que um craque, é o símbolo de um novo Palmeiras.
O ciclo e o legado
No fim, o futebol é feito de ciclos. Ídolos vêm e outros vão. Um clube não se constrói apenas pelas taças que levanta, mas pela forma como constrói o seu futuro.O Palmeiras hoje não é só o time que vence. É o clube que cresce, que planeja e que mostra ao mundo, com orgulho, a grandeza que é ser PALMEIRAS.







