A convocatória de Portugal para os jogos contra a República da Irlanda e Arménia, de qualificação para a Copa do Mundo de 2026 é semelhante a um peito de frango sem tempero.
Não há nada de diferente, inovador, apenas as mesmas apostas conservadoras e muito questionáveis do selecionador Roberto Martínez.
Vamos por parte para facilitar a vida ao leitor. Nuno Mendes está lesionado, o defesa esquerdo que o selecionador considera ser “o melhor jogador do mundo”. Sabe, caro leitor, quantos defesas esquerdos convocou Martínez? Zero!
“Ah, mas o Diogo Dalot joga a defesa esquerdo no Manchester United”. Jogar é uma coisa, jogar bem… é outra. “Ah, mas não há opções melhores”, aliás, não há opção nenhuma na cabeça de Roberto Martínez.
Mas para quem de facto vê futebol, reconhece a boa temporada que Leonardo Lelo está a fazer no Braga e a opção sólida que Francisco Moura, do FC Porto, pode ser. Mas talvez o selecionador não acompanhe o campeonato do país que treina.
Ao menos se houvesse um defesa esquerdo nomeado para defesa do ano da FIFA e jogasse numa das melhores equipas do mundo… Espera! Afinal há! Raphael Guerreiro não vai à seleção portuguesa desde julho de 2023, mas continua a exibir-se a alto nível no Bayern Munique.
Não me digam que Roberto Martínez não vê a melhor equipa da Europa em 2025/26? Ao menos temos Diogo Dalot.
Vamos ao lado direito da defesa. As escolhas passaram por Nélson Semedo, uma opção meramente ok; e João Cancelo, aquele lateral prolífero na competitiva Liga saudita.
Novamente, se Roberto Martínez assistisse à Liga portuguesa talvez soubesse que Alberto Costa merece uma chamada (já leva cinco assistências) e tem um perfil que pode ser bem aproveitada na seleção nacional.
Mas para o lado direito há Matheus Nunes, que não se sabe bem se é médio ou lateral, mas que não é o mesmo do Sporting.
Continuando na defesa, mas agora no centro, concordo com quase todas as chamadas, mas Renato Veiga… eu não sei bem o que anda ali a fazer. Tomás Araújo já mostrou mais que suficiente para ser convocado regularmente e tem argumentos para ser o futuro da seleção. Mas o que se há de fazer?
No meio campo não há muito a dizer, também não tenho paciência para isso. Mas depois chegamos ao ataque e já tenho o que contestar novamente.
Fico feliz por Carlos Forbs ter sido convocado, a sério, é bom ver sangue novo e com perfil desequilibrador na seleção nacional. Mas o motivo desta convocatória diz muito da incoerência de Roberto Martínez.
O extremo do Brugge está a ter um arranque bom de época, mas foi chamado por um (!) bom jogo frente ao Barcelona. Foi uma excelente exibição, na Champions e contra uma grande equipa – dois golos e uma assistência – mas é uma exibição!
Se é para dar oportunidades a jogadores fora do grupo habitual, sou totalmente a favor, mas Rodrigo Mora não existe? Não mostrou que é craque?
E Quenda? Já é jogador do Chelsea e ainda não jogou na seleção A! É escandaloso e só descredibiliza um selecionador que só salvou parte da opinião pública porque ganhou a poderosissíma Liga das Nações.
Mas lá está, o técnico espanhol não deve mesmo acompanhar a Liga portuguesa. Ou então saberia da época que Pablo, avançado do Gil Vicente, está a fazer. Tal como Félix Correia fez em 2024/25 e está a fazer, agora, no Lille.
É importante esclarecer que eu não acho que a seleção nacional deve ser uma porta giratória de jogadores. Mas basta olhar para Espanha e perceber que não há medo de mudar o grupo para integrar jogadores em boa forma.
E Roberto Martínez mantém-se às mesmas opções de sempre, várias de peso questionáveis (João Félix, Bernardo Silva, Rúben Neves) e não dá hipótese a outros de se mostrarem.
E isto não pode acontecer num Euro ou Mundial, claro. Mas há tantas datas FIFA ou UEFA que dão perfeitamente para estrear outros nomes, experimentar dinâmicas e evoluir a seleção.
Depois os resultados estão em campo. Exibições que vão do 8 ao 80, algumas pobres, sem ritmo, de um grupo que não parece ter alma em mais ocasiões do que devia.
Portugal tem de ser uma seleção moderna, se não Roberto Martínez vai ficar na história por desperdiçar (mais uma) geração de ouro.







