Neymar ainda tem espaço na Seleção?
Dizer isso não é fácil. Não para mim, nem para qualquer brasileiro que cresceu vendo Neymar jogar futebol como poucos na história do país. Neymar sempre foi fora da curva. O tipo de jogador que muda jogo, muda ambiente, muda expectativa. Mas futebol não é feito apenas de memória. É feito de presente. E, principalmente, de realidade.
Na minha opinião, Neymar não deve ser convocado para a Copa do Mundo.
O motivo não é técnico. Nunca foi. Neymar saudável e em ritmo, entra em qualquer seleção do planeta. O problema é que esse Neymar praticamente não existe mais. O que existe hoje é um jogador convivendo com problemas físicos constantes, longas pausas, retornos apressados e uma dificuldade cada vez maior de manter sequência de jogos. Copa do Mundo não é lugar para aposta de algo que não existe mais.
Seleção exige continuidade. Exige processo. E exige que todos estejam alinhados com uma ideia clara de jogo.

O momento atual de Neymar
Até aqui, Neymar sequer foi convocado por Carlo Ancelotti. Um treinador do nível de Ancelotti não constrói plano pensando em exceções. Ele constrói pensando em equilíbrio, funcionamento coletivo e intensidade. Incluir Neymar agora significaria adaptar todo um modelo já em desenvolvimento para um jogador que ainda não mostrou que consegue sustentar esse nível fisicamente.
“Mas Neymar se encaixa em qualquer esquema.”
Sim. Sempre se encaixou. A pergunta é outra: o Neymar de hoje ainda é esse Neymar?
O futebol mudou. O jogador que decide hoje não é apenas o mais talentoso, mas o mais constante, o mais intenso, o mais disponível. Ancelotti já deixou claro que se estiver bem, se tiver sequência, se estiver bem fisicamente, Neymar irá para a Copa, mas caso não, o técnico diz: “Eu não tenho dívida com ninguém”

E aqui entra o ponto mais delicado de todos: Neymar consegue entregar isso hoje?
Não se trata de vontade. Ninguém duvida do amor de Neymar pela Seleção, da vontade que ele tem de levantar a taça da Copa do Mundo. Mas o corpo responde diferente aos 34 anos, especialmente depois de tantas lesões seguidas. A intensidade que o futebol moderno exige cobra um preço alto. E a Seleção não pode correr o risco de montar uma Copa inteira em torno de um jogador que pode não estar disponível quando mais precisar.
Histórico de Neymar na Seleção
O Brasil já cometeu esse erro antes. Em 2014, tudo girava em torno de Neymar. Quando ele saiu, o sistema ruiu. Em 2018, a Seleção tentou reencontrar Neymar após lesão, mas a fase do jogador não era das melhores, virou inclusive piada mundial. Em 2022, ele chegou novamente como esperança máxima, e se machucou na própria Copa.
Talvez seja hora de aprender.

O futuro de Neymar
Convocar Neymar hoje não seria uma decisão técnica. Seria emocional. Seria olhar para o passado tentando resolver o futuro. A Seleção precisa construir uma identidade que não dependa de um único nome, por maior que ele seja. E Carlo Ancelotti planeja fazer isto.
Isso não diminui Neymar. Pelo contrário. Preserva sua história vestindo a amarelinha.
Neymar já fez mais pela Seleção do que muitos ídolos que jamais foram questionados. Mas, será que o Brasil ainda precisa de Neymar? A Copa do Mundo não é uma homenagem para algo que já não está mais lá. É uma competição de alto nível, a principal do Planeta, onde cada detalhe pesa. Onde não existe espaço para “talvez”, onde só cabem certezas.
Se Neymar voltar a ter sequência, intensidade e, acima de tudo, confiança em seu jogo, a discussão muda. Mas, hoje, olhando para o cenário real, para o que o futebol exige e para o plano que vem sendo construído, minha posição é clara: Neymar não deve ser convocado.
Não por falta de talento. Mas porque, no futebol, o tempo não espera ninguém. E a Seleção não pode esperar também.







